quinta-feira, 10 de novembro de 2011

RESTLESS

De volta e meia aparece aquele filme que nos leva a dizer: «Este é o melhor filme que vi nos últimos anos!». E foi precisamente isso que aconteceu agora com “Inquietos” de Gus Van Sant. É por esta e por outras que se torna muito difícil eleger o filme das nossas vidas - há sempre um, de tempos em tempos, que quer logo fazer parte da lista.

Não vou entrar em grandes detalhes nem nas razões que me levaram a gostar tanto deste "Inquietos", prefiro deixar isso com quem realmente percebe da coisa. E se muitas vezes não concordo com a opinião deste crítico, desta vez fiquei rendido com o texto do Luís Miguel Oliveira no Ípsilon que amanhã irá para as bancas (hoje disponível no online). Só lhe falta uma estrela para ser perfeito! Deixo aqui um excerto que gosto particularmente:

«Se a gente se ri, ou sorri, é porque ter o coração quente dá vontade de rir e sorrir, e a justeza emocional de “Inquietos”, sobretudo nas pequenas coisas (os beijos, as zangas, as cartas), é admirável, e Hopper e Wasilewska são perfeitos nessa mistura de convicção e “maladresse” de que as suas personagens são feitas. Para que não fiquem dúvidas: em “Inquietos” não está em causa outra coisa que não seja a “arte de morrer”, como nos melodramas de Frank Borzage nos anos 30 onde estes papéis seriam interpretados por James Stewart e Margaret Sullavan. A “arte de morrer”, evidentemente, é uma coisa de cinema. E como nesses filmes, ri-se e chora-se em “Inquietos” porque os actores são luminosos e comoventes, e porque o realizador sabe o exacto valor de uma lágrima (ou seja, não a desbarata, nem a vende demasiado cara).»

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