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MADRID

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Na última mostra Kino passou um filme meio alemão meio turco, chamado Almanya, que tinha lá um miúdo turco que ao ir para a Alemanha só pensava em Coca-Cola. Pois, eu percebi muito bem a sensação: comigo passou-se o mesmo, mas em relação a Espanha. Quando em puto fui pela primeira vez a Madrid só não dei cabo da Coca-Cola disponível no aeroporto porque não calhou. O certo é que até hoje essa ideia permanece e até arrisco a dizer que não há no mundo Coca-Cola como a espanhola: garrafa das pequenas, verde, com copo largo cheio de gelo e limão. Isto tudo para dizer que há uns dias andei por Madrid. A capital espanhola há muitos anos que é visitada aqui pelo bloguista ocasional. Não quero entrar naquela discussão Madrid-Barcelona, mas que gosto mais de Madrid, lá isso é uma verdade. E acho que tem mais a ver com as vivências do que propriamente com as características de cada cidade. Um tipo afeiçoa-se mais a umas terras do que a outras. É o que é. Deve ser por gostar mais do Goya ...

COIMBRA DE MATOS [ENTREVISTA]

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Paciente: Portugal Diagnóstico: depressão desamparada Entrevista de Anabela Mota Ribeiro publicada na revista Pública de 4 de Março de 2012, reproduzida aqui na íntegra: Somos inseguros, imaturos, praticantes da transgressão na sombra, além de desorganizados, individualistas, garbosos, disponíveis. Nós, os portugueses, o que esperamos do chefe, do pai, do protector, é que decida por nós, que assuma a responsabilidade por nós, que saiba sempre a resposta. Mas que resposta para Portugal? O psicanalista António Coimbra de Matos faz o diagnóstico de um país deprimido, que, em crise, se olha desamparado. Coimbra de Matos nasceu em 1929 numa aldeia do Douro. É um dos mais prestigiados psicanalistas portugueses. No seu consultório há uma fotografia dos vinhedos, da terra sulcada, mesmo em frente à porta de entrada. Depois, olhando à esquerda, há a secretária, o divã, o cadeirão onde ouve; e folhas e livros e jornais em quantidade e em desalinho. À direita há dois pequenos sofás ond...

LUSO-TROPICALISMO

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Na comunicação intitulada «Portugal em África (1825-1974): Uma Perspectiva Global», Valentim Alexandre começa por referenciar uma teoria que poderia explicar sociologicamente a presença de Portugal em África: o Luso-Tropicalismo do brasileiro Gilberto Freyre dá o mote para uma reflexão objectiva da relação entre Portugal e o território africano no período compreendido entre 1825 e 1974. Mas como veremos mais adiante, outras correntes «justificaram» essa presença, nomeadamente algumas variantes do «darwinismo social». Antes de 1825, os territórios africanos serviam essencialmente para fornecerem mão-de-obra escrava, numa primeira fase (a partir do século XV) para as plantações de cana-de-açúcar da metrópole, Madeira e São Tomé e Príncipe e, mais tarde, expandindo-se para o Brasil com o ponto alto no século XVIII na exploração de ouro. Com o fim do sistema económico luso-brasileiro, urgia encontrar um «novo Brasil» em África. Sá da Bandeira terá sido a figura política na altu...

MOSTRA DE CINEMA DE EXPRESSÃO ALEMÃ

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Já é um hábito para o público cinéfilo lisboeta: ano novo, cinema de expressão alemã novo. Há nove edições que o cinema de expressão alemã marca a agenda cultural da capital, e este ano não é excepção. A partir do dia 26 de Janeiro, o Cinema S. Jorge e o Auditório do Goethe-Institut recebem 18 filmes (a maioria de 2011) que já passaram pelos melhores festivais do mundo e que agora chegam finalmente a Portugal. Até ao dia 3 de Fevereiro, podemos ver grandes filmes direccionados a todo o tipo de público. O “Ciclo Áustria” é um dos destaques deste ano, contando com cinco filmes na mostra principal. Todas as sessões da noite começam com a exibição de uma curta-metragem da grande novidade deste ano: a selecção “Next Generation Short Tiger 2011”. Nove outros filmes integram os já habituais ciclos “Mostra para Escolas” e “Cinema Jovem”. Quais são, então, os temas que preocupam os Filmemacher de língua alemã actualmente? O exame crítico feito pelos cineastas à história do século XX...

2011: MÚSICAS, FILMES E PETISCOS

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Aqui no Bic Laranja Escrita Fina não se anda a dormir. À semelhança do que se passa nas publicações de prestígio mundo fora, também aqui se elege o melhor da música e dos filmes. Mas como estamos a falar de um blog com características de café central, ir-se-a falar igualmente de tascas e afins. Qual a melhor casa de pasto em 2011? Pois muito bem. Comecemos pela música. O Leonard Cohen, o Serge Gainsbourg e a rádio (já conhecem www.luxuriamusic.com?) são alguns dos responsáveis por não se ouvir essa música nova que aparece por aí a toda a hora. Com a devida atenção não se ouviu mais do que uns 50 discos novos ao longo de 2011. Vai-se ouvindo umas canções aqui e ali, mas discos de ponta à ponta não foram muitos. Mas se houve um realmente a destacar-se pela genialidade, foi sem dúvida o «Kaputt» de Destroyer. Depois de uma vista de olhos pelas listas publicadas por cá, reparou-se que os Radiohead não fazem parte das contas: será um fenómeno semelhante ao Lars Von Trier? 1 - Ka...

O ESTADO DAS NOSSAS COISAS

Até estava muito povo para almoçar, mas não desisti e em 20 minutos estava a ser servido por uma senhora muito simpática que trata toda a gente por «filho». Comecei com uma sopa de legumes: um caldo aveludado com abundantes folhas frescas de espinafres. Para seguir em frente escolhi uns filetes de pescada em fritura impecável acompanhados por um belíssimo arroz de cenoura e ervilhas: solto e em cozedura perfeita. Acompanhei com um óptimo sumo de laranja e prescindi da fruta fresca que parecia oriunda ali do Oeste. Ambiente jovem e cosmopolita em espaço amplo e decoração minimalista. No que toca a filetes até podia ser um crítico qualquer a falar de um Pap’Açorda, mas não, está-se mesmo a falar da cantina da Universidade Nova de Lisboa! Por uma refeição completa paguei 2.40€! No outro dia marquei uma consulta no Centro de Saúde de Alvalade sem qualquer tipo de urgência e, em 8 ou 10 dias, lá estava eu à hora combinada a ser atendido por uma excelente médica que me passou os habit...

RESTLESS

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De volta e meia aparece aquele filme que nos leva a dizer: «Este é o melhor filme que vi nos últimos anos!». E foi precisamente isso que aconteceu agora com “Inquietos” de Gus Van Sant. É por esta e por outras que se torna muito difícil eleger o filme das nossas vidas - há sempre um, de tempos em tempos, que quer logo fazer parte da lista. Não vou entrar em grandes detalhes nem nas razões que me levaram a gostar tanto deste "Inquietos", prefiro deixar isso com quem realmente percebe da coisa. E se muitas vezes não concordo com a opinião deste crítico, desta vez fiquei rendido com o texto do Luís Miguel Oliveira no Ípsilon que amanhã irá para as bancas (hoje disponível no online). Só lhe falta uma estrela para ser perfeito! Deixo aqui um excerto que gosto particularmente: «Se a gente se ri, ou sorri, é porque ter o coração quente dá vontade de rir e sorrir, e a justeza emocional de “Inquietos”, sobretudo nas pequenas coisas (os beijos, as zangas, as cartas), é admiráv...